São Cristóvão – O Império Esquecido – o documentário

Um dos mais importantes bairros do Brasil é retratado no documentário – São Cristóvão – O Império Esquecido, com idealização, direção e roteiro do historiador Cláudio Pachá. O longa presta homenagem ao Bairro Imperial, que apesar de fazer parte da história do Brasil, a partir da chegada de D. João VI em 1808, vem sendo degradado e esquecido pelo poder público.

Idealizador do longa Cláudio Pachá no Largo Pedro Lobianco, em São Cristóvão

O filme tem início com uma jovem que anda pelo cais da Praça XV e pega um ônibus em direção ao bairro de São Cristóvão. Em seu consciente ecoa a história do Bairro Imperial. A história é entrecortada por depoimentos de moradores, escritores, pesquisadores em explícita tentativa de fornecer pistas e informações para entender o apogeu e a decadência desse bairro histórico.

COMO SURGIU A IDEIA

A ideia do fazer o documentário surgiu, quase que por acaso, em 2014, quando Cláudio Pachá inicia um curso de história, com bacharelado em licenciatura. Ele já fazia fotografia e veio a vontade de unir a história com o audiovisual e, ao procurar documentários sobre o bairro, viu uma chamada da Prefeitura de São Paulo, que abria inscrição para criação de curtas de até 25 minutos sobre a história dos bairros. 
O então estudante procurou alguma coisa parecida sobre São Cristóvão e não encontrou nada. A partir desse momento a filosofia Glauberiana, cujo princípio era “uma câmara na mão e uma ideia na cabeça”, serviu de inspiração para Pachá iniciar o documentário sobre o bairro onde mora há mais de 40 anos.

CONTINUA DEPOIS DO ANÚNCIO

A maior e mais completa proteção veicular do Rio com a assinatura de Isabele Benito da Rádio Tupi

Com recursos próprios inicia as pesquisas iconográficas na Biblioteca Nacional, onde mais uma vez percebeu que as instituições não tinham muita coisa falando sobre o bairro.
– O objetivo principal, quando comecei a idealizar o documentário, era que ele pudesse ser exibido em salas de aulas para o ensino fundamental II e o ensino médio, porque falar de São Cristóvão é falar da História do Brasil. Mesmo quando encontramos alguma coisa, o bairro é negligenciado e só relata basicamente que a família real morou no local, que foi uma chácara, que era a Quinta da Boa Vista, e morre nisso aí – enfatizou o documentarista.

PESQUISAS


O livro São Cristóvão – Memória e Esperança, de Hélio Brasil, foi uma das fontes
de pesquisas de Cláudio Pachá

As pesquisas mostraram que a degradação do bairro começa pelo próprio morador, que não se sente incluído na história do bairro e não tem a noção de pertencimento.
– Ele tem que saber que esse é um bairro importante e riquíssimo, que não tem em nenhum lugar do Brasil um bairro com a importância histórica de São Cristóvão. Só o fato da Família Real ter morado aqui, já fala muita coisa. Várias fases importantes da história do Brasil passaram por aqui. A Lei Áurea foi assinada aqui no Museu Nacional, quando era a antiga residência Real. Dom Pedro II nasceu lá. A Constituição de 1889, com a Proclamação da República também foi assinada lá dentro. Não tem como você negar isso. Infelizmente, ao pegar os livros de histórias de hoje, não se fala dessas coisas. Só relatam basicamente a questão da independência – diz Cláudio Pachá.

ALGUNS ENTREVISTADOS

Hélio Brasil

Hélio Brasil é arquiteto, escritor e professor universitário
Dona Carlota nasceu, cresceu e vive até hoje no Campo de São Cristóvão
Rejane Sobreira Minato é artista plástica e poeta, moradora apaixonada por São Cristóvão
Ramon Seara em entrevista à Cláudio Pachá na Quinta da Boa Vista

Para Cláudio Pachá o documentário começou a ganhar uma cara mais trabalhada quando conheceu o escritor em 2016.
– Quando conheci o escritor Helio Brasil o documentário ganhou outra dimensão, mesmo porque, inicialmente eu iria fazer um curta e, a partir dos depoimentos que foram surgindo virou um longa de 76 minutos. O escritor é autor do livro “Cantos do Rio – São Cristóvão – Memória e Esperança, um trabalho em conjunto com outros escritores como Adir Blanco, que fala sobre a Tijuca, Heitor Cony, da Lagoa e Nireu Cavalcanti, da Gamboa, e o Hélio Brasil fala de São Cristóvão, bairro pelo qual tem um carinho especial, pois seu pai nasceu nele, comenta Pachá.
Dentre outros entrevistados não menos importantes para o documentário podemos apontar o Sr. Ramon Seara, Rejane Sobreira Minato, Dona Carlota e  Viviani Ribeiro, que deram excelentes depoimentos sobre o Bairro Imperial.

Entrevista com Viviani Ribeiro, arquiteta e urbanista com mestrado sobre o bairro

A ESTREIA NO MEMORIAL GETÚLIO VARGAS

Por ser um trabalho independente, sem recursos para divulgação (público ou privado), o idealizador do documentário fez a apresentação de estreia no
dia 11 de novembro, no Memorial Getúlio Vargas, antigo Cinema Estação da Glória, na Sala Zaíra de Oliveira. Para surpresa do idealizado do documentário, o espaço, com capacidade para 116 pessoas, ficou lotado.

ESTREIA EM SÃO CRISTÓVÃO

Coreto do Campo de São Cristóvão, de 85m², inaugurado em 1906, encontra-se totalmente abandonado pele poder público
O coreto virou moradia de mendigos e o teto moradia de pombos

A próxima apresentação do Documentário deve ser no Bairro Imperial de São Cristóvão, que protagoniza o longa-metragem. Segundo o diretor, o bairro não tem muitos lugares apropriados, mas está em conversa com a direção do Colégio Brasileiro, que tem um auditório muito bom e vai atingir o público alvo do projeto, que são os alunos do ensino fundamental II e Ensino Médio. Ele também quer atingir os moradores do bairro, que com certeza vai se ver nos depoimentos dos entrevistados.

Olhar melancólico de Cláudio Pachá para o coreto totalmente abandonado

Leave a reply