Uma jaqueira em plena Rua Pedro II

Bem no coração de São Cristóvão, próximo à Quinta da Boa Vista, entre fios telefônicos e da rede elétrica, onde milhares de pedestres, automóveis, motos e ônibus passam diariamente, eis que uma linda jaqueira cresce esplendorosa na Rua Pedro II, em frente ao número 232. Ela luta com os fios que a enforca e com a poluição dos carros, mas segue firme em busca da sobrevivência.

Segundo os vizinhos, a jaqueira já vem produzindo frutos há algum tempo, mas informam que moradores de rua não deixam os frutos ficarem maduros, arrancando-os ainda verdes, o que é uma pena. Lamentações à parte, o que importa destacar é que o nosso solo é muito rico e, “em se plantando tudo dá”, como disse Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal dom Manuel, em carta enviada em 1º de maio de 1500, quando relatou a descoberta do nosso Brasil.

Na Rua Pedro II, em São Cristóvão, uma jaqueira briga com fios e a poluição pela sobrevivência

Um pouco mais à frente da jaqueira também existe um pé de carambola que dá fruto praticamente o ano todo. Muitas pessoas que trabalham nas proximidades conseguem comer os frutos fresquinhos, sem agrotóxico, principalmente o guardador de automóveis do local e os funcionários de uma agência do Correio. Porém, mais uma vez os moradores de rua tiram os frutos ainda verdes, jogam no chão e saem sem nenhuma dor na consciência.    

O pé de carambola dá fruto praticamente o ano todo, mesmo crescendo diante da poluição
Nessas fotos, feitas em abril desse ano, a árvore estava começando a florir e alguns frutos já eram vistos

Em meio a uma política desastrosa do governo federal em relação ao meio ambiente, alguns moradores de São Cristóvão, na contramão dessas atitudes nocivas, estão engajados em fazer a sua parte em busca de um ar mais puro. Eles estão plantando árvores frutíferas no que sobra do pouco espaço urbano que resta nas grandes metrópoles.

Um grande exemplo de cidadania ambiental é o Projeto Jardinagem Social, criado por um grupo de moradores de São Cristóvão. Eles buscam alternativas na tentativa de resgatar as áreas verdes dos espaços públicos do bairro, que vem sofrendo durante décadas o abandono por parte do poder público e pela falta de cidadania da população.

Tenho certeza que atitudes iguais a essa acontecem em outras regiões do estado e do país, mas ainda é pouco diante da destruição das queimadas criminosas, no Rio de Janeiro e no Brasil como um todo, somadas ao descaso público nas questões ambientais.

Vamos fazer a nossa parte, plante hoje uma árvore para respirar melhor amanhã.

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