72% da população reprova governo Crivella

Em 2016 o então senador Marcelo Crivella (PRB) foi eleito no segundo turno prefeito do Rio com 1.700.030 votos, o que corresponde a 59,36 dos votos válidos, superando Marcelo Freixo (PSOL), que obteve 1.163.662 votos, 40,62% dos votos válidos.

Dois Marcelos disputaram o segundo turno da eleição do Rio em 2016: Marcelo Freixo e Marcelo Crivella

Em seu primeiro discurso após a vitória, o prefeito eleito aproveitou para agradecer os apoios recebidos, citando a Igreja Católica, os espíritas, umbandistas, aos candomblecistas e aos que não tem religião, dizendo que conseguiu vencer “uma onda enorme de preconceito levantada na campanha eleitoral”.

Após três anos de gestão do prefeito Marcelo Crivella, que trocou de partido e agora está no Republicanos, os quase 60% de aprovação nas urnas, foram substituídos por 72% de reprovação, classificando seu governo como ruim ou péssimo. Apenas 8% dos cariocas avaliaram sua gestão ótima ou boa.

A pesquisa do Datafolha, feita entre os dias 11 e 13 dezembro, realizou 872 entrevistas na cidade do Rio de Janeiro. A margem de erro é de 3,0 pontos percentuais para mais ou para menos e atingiu pessoas de 16 anos ou mais.

A taxa atual de reprovação ao governo Crivella é o mais alto da série histórica do Datafolha para a Prefeitura do Rio de Janeiro, que começa em junho de 1993, durante o primeiro mandato de César Maia. Desde então, o índice mais alto de reprovação a um chefe do Executivo no Rio havia sido registrado em junho de 1994, quando 56% apontaram o governo do próprio Maia como ruim ou péssimo.

FALA COM A MÁRCIA

Márcia da Rosa Pereira Nunes sumiu após o episódio onde Crivella manda os pastores procurarem a Assessora para marcarem consultas de cataratas

As sucessivas sandices de Marcelo Crivella começam a ganhar notoriedade com o caso “fala com a Márcia” (Marcia da Rosa Pereira Nunes, uma assessora até então totalmente desconhecida), quando o jornalista Bruno Maia Abbud se infiltrou no evento “Café da Comunhão” realizado no dia 4 de julho de 2018, no Palácio da Cidade. O prefeito Marcelo Crivella conversou com pastores e líderes de diversas igrejas evangélicas, principalmente os da (IURD) Igreja Universal do Reino de Deus, em um espaço da Prefeitura.

Na reunião, Crivella indicou o caminho para os fiéis das igrejas evangélicas, especialmente os da IURD, conseguirem furar a fila para cirurgia nos hospitais municipais, seguindo o exemplo da mãe de Crivella.

– Se os irmãos conhecerem alguém com problema de catarata, por favor, falem com a Márcia ou com o Marquinhos, é só conversar com a Márcia que ela vai anotar, vai encaminhar, e daqui a uma semana ou duas eles estão operando.

Na mesma reunião Crivella aproveitou para pedir votos para dois candidatos do PRB, oferecendo isenções de IPTU dos imóveis utilizados pelas igrejas evangélicas, além de incentivar os fiéis a furarem a fila de outras cirurgias, como vasectomia, varizes e hemorroidas. Em sua justificativa, Crivella disse:

– Nós temos que aproveitar que Deus nos deu a oportunidade de estar na Prefeitura para esses processos andarem, pra gente dar um fim nisso.

Em outro episódio, o da Linha Amarela, Crivella mandou agentes municipais destruírem as instalações da Concessionária com retroescavadeiras, onde derrubaram cabines e retiraram vários equipamentos.

BIENAL DO LIVRO

Livro Vingadores – A cruzada das Crianças e o beijo gay de toda confusão na Bienal

Na Bienal do Livro, em setembro, Crivella mandou recolher todos os quadrinhos “Vingadores: a cruzada das crianças”. Essa atitude gerou protestos e debates entre juristas, que criticaram o ato de censura. Na época Crivella alegou que a HQ ilustrava um beijo gay entre dois personagens e continha conteúdo sexual para menores.

CENSURA À IMPRENSA

Marcelo Crivella se irrita em outro momento com pergunta da repórter da Globo Larissa Schimidt e sai soltando o verbo contra a emissora

Em mais um ato lastimável do prefeito Crivella, dessa vez a censura foi imposta aos veículos do Grupo Globo, impedido de participar de entrevista no Palácio da Cidade, sede da Prefeitura no Rio. Nessa entrevista o ministro interino da saúde, João Gabbardo, assinou um repasse para a rede municipal de saúde e o Ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, falou sobre o acordo para a União pagar a reforma do Sambódromo.

A ANJ – Associação Nacional de Jornais e a ABI – Associação Brasileira de Imprensa, reagiram a essa atitude insana de Marcelo Crivella, que fere a liberdade de imprensa.

SAÚDE DO RIO EM COMA

População não aguenta mais a situação da saúde nas três esferas: municipal, estadual e federal

É humilhante o que passa a população do Rio quando procura uma unidade de saúde do município. Pessoas morrem praticamente todos os dias por falta de tudo: médicos, enfermeiros, remédios, alimentação e insumos. No hospital municipal Salgado Filho, no Méier, no dia 13 de dezembro, não havia fraldas, gases, algodão, pomadas para assaduras e vários tipos de remédios para pressão, colesterol e corticoides. Médicos e enfermeiros estão tirando do próprio bolso, mesmo sem receber salários, para comprar material para os pacientes.

Praticamente todas as unidades hospitalares como as UPAS, Postos de Saúde e hospitais do município estão com o atendimento ambulatorial parados, só atendendo casos gravíssimos. O número de pessoas vindo a óbito cresce a cada dia devido a falta de remédios, aparelhos para exames quebrados e funcionários que não estão indo trabalhar porque estão com os salários atrasados. Uma vergonha nacional.

O caos no atendimento médico é insuportável. População mais pobre da cidade já não tem mais esperança e assiste seus familiares morrerem sem um atendimento digno.

Enquanto isso, Crivella afirma que “a crise é falsa. O que houve foi atraso de salários de um mês, e, no caso de algumas OSs, de dois meses. Algumas OSs também tinham problemas de gestão”.

Esses 72% da reprovação da gestão do prefeito Crivella retrata bem o que seu governo representa: desordem, incompetência administrativa e favorecimentos aos evangélicos. A soma de tudo é igual ao caos absoluto que a população da cidade “maravilhosa” vive.

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